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União Europeia suspende importação de produtos de origem ani

A Comissão Europeia barrou a entrada de carne, ovos e mel brasileiros devido a divergências sobre o uso de antibióticos na produção, mantendo a suspensão vigente.

A Comissão Europeia oficializou, nesta quinta-feira, a suspensão das importações de diversos produtos de origem animal provenientes do Brasil. A medida foi adotada após o governo brasileiro não apresentar evidências suficientes para assegurar ao bloco europeu que seus processos produtivos estão em total conformidade com as exigências sanitárias vigentes na União Europeia, especificamente no que diz respeito ao uso de antibióticos.

Este bloqueio ocorre em um momento de alta tensão política, marcado por críticas intensas ao acordo de livre comércio firmado em janeiro de 2026 entre a Comissão Europeia e os países do Mercosul, que inclui Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Produtores rurais europeus têm pressionado as autoridades, alegando que os competidores sul-americanos operam sob normas fitossanitárias menos rigorosas, o que geraria uma vantagem competitiva desleal no mercado interno da UE.

Eva Hrncirova, porta-voz da Comissão, esclareceu que a legislação europeia veta terminantemente o emprego de antimicrobianos como promotores de crescimento na pecuária. Segundo a representante, a lista de nações que comprovadamente atendem a esses padrões de segurança entrou em vigor nesta quinta-feira, 3 de setembro, e o Brasil não foi incluído no rol de países autorizados.

A restrição imposta é abrangente e atinge diretamente a exportação de carne bovina, carne de aves, ovos e mel. A decisão é o desdobramento prático de uma votação realizada por especialistas nacionais dos países membros em maio deste ano, que já sinalizava a preocupação do bloco com os métodos de produção brasileiros.

Existe, contudo, uma possibilidade de reversão parcial para setores específicos. A Comissão Europeia iniciou um processo de auditoria voltado para os segmentos de aves e mel, fundamentado em garantias documentais enviadas por Brasília. Embora a expectativa seja de que o trabalho de campo da auditoria seja concluído até o final desta semana, a análise final dos dados e a emissão de um parecer definitivo devem demandar um período mais extenso.

Quanto à carne bovina, a situação é mais complexa. Hrncirova enfatizou que o governo brasileiro não ofereceu garantias equivalentes para este setor. A exigência europeia é de que o controle sobre o uso de substâncias proibidas abranja todo o ciclo de vida do animal, um processo que, no caso do gado, é significativamente mais longo e complexo do que o das aves.

Antes do período de férias de verão, o embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, havia mencionado a existência de tratativas técnicas em curso com a Comissão para tentar contornar o impasse. Apesar dos esforços diplomáticos e técnicos, o Brasil não logrou êxito em impedir a entrada em vigor das restrições.

O intercâmbio de bens agrícolas sempre representou o ponto de maior sensibilidade nas negociações do acordo com o Mercosul, que se estenderam por mais de duas décadas. Atualmente, o tratado encontra-se em fase de aplicação provisória, iniciada em maio, após o Parlamento Europeu ter optado por encaminhar o processo de ratificação para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia.

Fonte: pt.euronews.com