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Sistema de depósito de garrafas Volta impulsiona iniciativas

O sistema de retorno de embalagens Volta tornou-se uma ferramenta de angariação de fundos para projetos sociais, ambientais e sonhos pessoais de cidadãos em Portugal.

O projeto Volta, que introduziu um sistema de depósito para garrafas de plástico em Portugal, tem servido como um catalisador para diversas iniciativas de cariz social e pessoal. Desde abril, quando o sistema foi implementado para cumprir a Diretiva dos Plásticos de Utilização Única, consumidores podem recuperar dez cêntimos por cada embalagem devolvida em máquinas instaladas em supermercados e outros pontos de recolha.

Para as irmãs Ariela, de 13 anos, e Alice, de 10, o sistema tornou-se a via para financiar intercâmbios internacionais. A mãe, Karina Lauro, relata que a rotina diária envolve a recolha de garrafas junto a vizinhos em Vila do Conde. O objetivo é ambicioso: acumular 120 mil garrafas até junho do próximo ano, totalizando 6 mil euros para cada uma, visando custear estudos nos Estados Unidos e na Coreia do Sul. Além do valor financeiro, a iniciativa serve como um projeto ambiental que valoriza o currículo académico de Alice.

Embora o sistema tenha gerado controvérsia em algumas cidades, com relatos de contentores revirados e queixas sobre higiene urbana — levando a intervenções das autoridades —, muitas pessoas utilizam o Volta de forma organizada. O fenómeno não se limita a indivíduos em situação de vulnerabilidade; é também uma estratégia de angariação de fundos para instituições e grupos cívicos.

António Casa Branca, responsável pelo santuário Gatil Original em Vendas Novas, encontrou no sistema uma forma de sustentar cerca de 40 gatos. Através de parcerias com estabelecimentos locais, como casas de bifanas e pastelarias, o gatil recolhe embalagens recicláveis para trocar por talões de desconto em supermercados, convertendo-os em alimentação para os animais. Segundo Casa Branca, a iniciativa cobre atualmente todas as necessidades alimentares do abrigo.

A dinâmica de doação de garrafas tem sido comparada à antiga prática de recolha de tampinhas plásticas, mas com a vantagem de ser uma transação direta e financeiramente mais recompensadora. Em alguns casos, as máquinas do Volta permitem até a transferência direta do valor para instituições de solidariedade social, como a Liga dos Bombeiros Portugueses ou a Cáritas.

Na freguesia da Ota, em Alenquer, o movimento cívico "Guarda à Casa" adotou a estratégia para financiar a recuperação de um edifício histórico. Nelson Mota, um dos responsáveis, destaca a facilidade do processo: "É uma forma simples de angariar fundos para eventos". A comunidade local tem aderido prontamente, com contentores de recolha a encherem rapidamente, demonstrando o espírito solidário dos residentes.

O sucesso das iniciativas também tem sido amplificado pelas redes sociais. O projeto das irmãs Ariela e Alice, documentado sob o nome "Sonho na garrafa", conta com uma audiência expressiva, atraindo até contribuições internacionais. Karina Lauro explica que, embora aceite doações, prioriza o envolvimento direto com a reciclagem, recusando apoios que não derivem do processo de troca de garrafas.

Apesar da eficácia do sistema, o trabalho de logística é intenso. Muitos voluntários e instituições realizam rondas regulares para recolher as embalagens em estabelecimentos parceiros, transformando o que seria lixo em recursos essenciais. O Volta, assim, transcende a sua função original de gestão de resíduos, consolidando-se como um motor de apoio comunitário em todo o território português.

Fonte: pt.euronews.com