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Seca em Mato Grosso eleva riscos de problemas respiratórios

A baixa umidade do ar e o calor intenso em Mato Grosso aumentam a vulnerabilidade a doenças respiratórias. Especialistas alertam para sinais de alerta e automed

A baixa umidade do ar e o calor intenso em Mato Grosso aumentam a vulnerabilidade a doenças respiratórias. Especialistas alertam para sinais de alerta e automedicação.

A chegada do período de estiagem em Mato Grosso traz consigo um alerta importante para a saúde pública. Em Cuiabá, a combinação de temperaturas elevadas, umidade do ar reduzida e o aumento de poeira e partículas em suspensão cria um cenário propício para o agravamento de quadros respiratórios, afetando especialmente crianças, idosos e pacientes com condições crônicas de saúde.

No final do mês de julho, a Defesa Civil da capital mato-grossense emitiu um comunicado sobre a queda nos índices de umidade, que oscilaram entre 14% e 30%. A previsão de dias com umidade abaixo dos 20% coloca a região em uma faixa considerada crítica, o que, segundo o órgão, tende a sobrecarregar os serviços de saúde devido ao impacto direto do ar seco e poluído no sistema respiratório.

A infectologista Eva Grigoli, que atua no Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, destaca que as infecções respiratórias figuram entre as demandas mais frequentes nos atendimentos, ao lado de quadros gastrointestinais, urinários e de pele. Além disso, a médica aponta que síndromes febris e infecções hospitalares também demandam atenção constante dos profissionais de saúde.

No contexto regional, o monitoramento de arboviroses, como a dengue e a chikungunya, continua sendo uma prioridade diagnóstica. Paralelamente, a circulação de vírus respiratórios, como o da influenza, exige vigilância. A tuberculose também é citada como uma patologia que requer diagnóstico preciso e acompanhamento rigoroso durante esta época do ano.

É importante ressaltar que nem todo desconforto respiratório durante a seca é causado exclusivamente pelo clima. Contudo, a baixa umidade provoca o ressecamento das mucosas, o que diminui a proteção natural das vias aéreas e facilita a entrada de agentes infecciosos e irritantes.

Para a especialista, o ponto crucial não é apenas identificar o patógeno causador da doença, mas sim estar atento aos sinais de gravidade. A busca por auxílio médico deve ser imediata caso o paciente apresente febre persistente ou muito alta, dor torácica, dificuldade para respirar, queda na saturação de oxigênio ou confusão mental.

Outros sintomas que indicam a necessidade de avaliação urgente incluem prostração extrema, sinais de desidratação, queda na pressão arterial, diminuição significativa do volume urinário, sangramentos ou uma deterioração rápida do estado geral de saúde. Em grupos de risco, como gestantes e imunossuprimidos, a evolução da doença costuma ser mais veloz e imprevisível.

No caso específico dos idosos, a médica alerta que infecções graves nem sempre se manifestam com febre elevada. Alterações no comportamento, fraqueza acentuada, perda de funcionalidade, redução do apetite ou o agravamento súbito de doenças preexistentes podem ser indicadores de que o quadro clínico está se tornando crítico.

Por fim, a infectologista reforça a proibição da automedicação. O uso indiscriminado de antibióticos, além de não tratar infecções virais, contribui para o surgimento de bactérias resistentes, provoca efeitos colaterais indesejados e pode causar desequilíbrios na microbiota intestinal, favorecendo infecções por Clostridioides difficile . Práticas como o compartilhamento de remédios, o uso de sobras de tratamentos antigos ou a interrupção precoce de medicações prescritas devem ser evitadas para garantir a segurança do paciente.

Fonte: rdnews.com.br