Rússia intensifica ofensiva com ataques a centros comerciais
Novos bombardeios russos atingiram Zaporíjia, Kiev e Kherson, deixando mortos, feridos e destruindo instalações energéticas essenciais para o inverno ucraniano.
Uma nova onda de ataques russos atingiu diversas regiões da Ucrânia nesta sexta-feira, resultando em feridos e danos significativos a infraestruturas civis e comerciais. Em Zaporíjia, um drone russo atingiu o hipermercado de bricolage Epicentr, gerando um incêndio de grandes proporções que consumiu cerca de 2.000 metros quadrados da estrutura. O governador regional, Ivan Fedorov, confirmou que quatro pessoas ficaram feridas durante a ação.
A ofensiva russa não se limitou a Zaporíjia, abrangendo também as regiões de Kiev, Sumy, Kharkiv e Kherson. Na capital ucraniana, os ataques com drones ocorreram pelo segundo dia consecutivo, causando a morte de uma pessoa e deixando outras duas feridas. Diversas habitações e armazéns nos arredores de Kiev, especificamente nos distritos de Boryspil e Fastiv, sofreram danos severos.
O cenário de hostilidades reflete uma intensificação das operações de longo alcance por ambos os lados. Enquanto a Rússia mira centros logísticos e infraestruturas críticas, a Ucrânia tem respondido com ataques a refinarias de petróleo russas e armazéns de grandes empresas de comércio eletrônico, como Wildberries e Ozon, sob a alegação de que estas companhias auxiliam o esforço militar de Moscou.
No sul do país, a situação em Kherson tornou-se ainda mais crítica. Um homem de 61 anos faleceu após ser atingido por um drone no bairro de Korabelnyi, enquanto outras três pessoas precisaram de atendimento hospitalar devido a um ataque similar. O chefe da administração militar da cidade, Yaroslav Shanko, confirmou o óbito após a vítima não resistir aos ferimentos.
Diante da escalada da violência, o governador regional, Oleksandr Prokudin, reiterou o apelo para que os moradores, especialmente famílias com crianças e idosos, abandonem a região. A proximidade das tropas russas, posicionadas na margem oposta do rio Dnipro, permite que a cidade seja alvo constante de artilharia, drones e bombas aéreas.
Um dos golpes mais severos à infraestrutura local ocorreu na noite de quinta-feira, quando quatro bombas aéreas guiadas atingiram a central de cogeração de Kherson. A estatal Naftogaz informou que o ataque destruiu todo o equipamento de produção de energia e calor, deixando a unidade inoperante. Prokudin alertou que a população pode enfrentar a falta de luz e aquecimento por um período prolongado.
Os dados regionais revelam a gravidade da situação: desde o início de julho, cerca de 170 bombas aéreas guiadas foram lançadas sobre Kherson, um número que supera o total registrado em todo o primeiro semestre. O histórico recente inclui episódios trágicos, como o ataque a uma carrinha de passageiros em 19 de agosto, que resultou em quatro mortes.
Kherson, que foi ocupada pelas forças russas logo no início da invasão em fevereiro de 2022 e retomada pela Ucrânia em novembro do mesmo ano, permanece em uma posição vulnerável. A estratégia russa de atingir sistemas de energia e aquecimento replica o padrão observado no inverno passado, quando o país enfrentou apagões prolongados devido aos danos causados aos sistemas elétricos nacionais.
Fonte: pt.euronews.com