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Queda no desempenho escolar: Europa busca soluções após PISA

O relatório PISA aponta queda no desempenho escolar em matemática e leitura. Confira as medidas que governos europeus planejam para reverter o cenário.

A queda no desempenho escolar em matemática e leitura tornou-se uma preocupação global, gerando promessas de intervenção imediata em toda a Europa. O mais recente relatório PISA, conduzido pela OCDE com jovens de 15 anos, aponta que o rendimento dos estudantes atingiu níveis historicamente baixos. Especialistas atribuem esse cenário, em grande parte, à digitalização excessiva e à redução do hábito de leitura por lazer.

Impactos da queda no desempenho escolar

Na União Europeia, países como Espanha, Croácia, Luxemburgo, Malta, Grécia, Roménia, Chipre e Bulgária registraram resultados abaixo da média da OCDE em áreas fundamentais. Por outro lado, nações como Estónia, Finlândia, Irlanda, Áustria, Polónia e Chéquia conseguiram manter desempenhos superiores. O cenário é crítico, especialmente na leitura, que sofreu uma queda de 28 pontos entre 2015 e 2025.

O ministro francês da Educação, Édouard Geffray, classificou a situação como uma “destruição cognitiva”. Segundo o gestor, o uso constante de celulares em sala de aula causa distrações que equivalem a uma perda de quase dois anos letivos. Ele defende que o ensino básico seja a prioridade absoluta para a implementação de práticas pedagógicas mais eficazes nos próximos anos.

A análise da OCDE destaca que o declínio afeta competências vitais para a era da inteligência artificial, como a capacidade de avaliar informações e pensar criticamente. Em Espanha, a ministra da Educação, Milagros Tolón, reforçou que a compreensão leitora é a base para todas as outras disciplinas. Ela reconheceu que o uso superficial de tecnologias e mensagens curtas tem prejudicado o aprendizado dos adolescentes.

O relatório PISA também identificou fatores cruciais que explicam esse retrocesso:

Diminuição do apoio familiar no acompanhamento das tarefas escolares. Uso excessivo de dispositivos digitais para lazer durante o período letivo. Leitura apressada e falta de interesse por conteúdos profundos. Dificuldade em estabelecer conexões entre múltiplas fontes de informação. Andreas Schleicher, diretor da OCDE, observou que muitos pais passaram a se ver como clientes das escolas, em vez de parceiros ativos na educação. Dados do estudo mostram que alunos cujos familiares demonstram interesse diário pela rotina escolar obtêm, em média, 35 pontos a mais em ciências. Esse diferencial equivale a cerca de um ano e meio de aprendizado adicional.

Além disso, a distração digital é um problema recorrente. Em países com políticas rigorosas de restrição ao uso de celulares, os níveis de distração foram significativamente menores. Contudo, o uso da tecnologia para fins pedagógicos, quando limitado a poucas horas diárias, ainda apresenta resultados positivos, segundo o levantamento.

Nos Países Baixos, a situação também é alarmante, com quase quatro em cada dez crianças correndo o risco de terminar o ciclo escolar com baixos níveis de literacia. A secretária de Estado da Educação, Judith Thielen, prometeu um plano de ação para reverter essa tendência nos próximos três anos. Para acompanhar mais desdobramentos sobre o tema, acesse a nossa categoria de educação.

Fonte: pt.euronews.com