Portal Luccas Torres

Primeiro debate das eleições presidenciais francesas de 2027

Sete candidatos à presidência da França participam de um debate organizado pelo Medef, buscando conquistar o apoio do setor empresarial em um cenário econômico desafiador.

Nesta quinta-feira, 27 de agosto, sete nomes de destaque na política francesa encontram-se com um propósito comum: oferecer garantias ao setor patronal do país. Jean-Luc Mélenchon, Marine Tondelier, Raphaël Glucksmann, Gabriel Attal, Édouard Philippe, Bruno Retailleau e Marine Le Pen iniciam, com este debate, uma nova fase na corrida pelo Palácio do Eliseu. O palco escolhido é o court Philippe-Chatrier, em Roland-Garros, onde o Mouvement des entreprises de France (Medef) promove o confronto direto durante suas jornadas de verão.

Patrick Martin, presidente do Medef, abriu o evento instando os postulantes ao cargo a apresentarem propostas políticas que sejam, ao mesmo tempo, claras e corajosas. Segundo o dirigente, a organização, que representa 240 mil empresas e cerca de 12 milhões de trabalhadores, pretende manter uma presença constante no debate político nacional. Martin defendeu uma agenda de liberdades, argumentando que é necessário romper com o que descreveu como um "colete de forças" que limita o potencial e a energia da França.

A pressão sobre os candidatos é elevada, dado que o pessimismo domina o empresariado. Um levantamento realizado pelo Medef com quase 66 mil dirigentes revelou que 82% dos entrevistados não confiam nos resultados das políticas econômicas do próximo governo. As prioridades do setor incluem a redução da carga tributária, o incentivo à reindustrialização, a simplificação administrativa, o controle da dívida pública e a estabilidade das normas fiscais e sociais.

O contexto econômico francês é delicado, com a dívida pública atingindo 117,5% do PIB no primeiro trimestre, um cenário que será acompanhado de perto pela agência de classificação de risco Fitch. Patrick Martin enfatizou que, independentemente de quem vença o pleito, o Medef adotará uma postura pragmática, trabalhando com o eleito, embora reitere que as empresas atingiram o seu "limiar de dor" no que diz respeito à tributação.

Cada candidato enfrenta desafios específicos para convencer a plateia. Jean-Luc Mélenchon, do La France insoumise, terá de explicar propostas como o aumento do salário mínimo e a reforma da previdência aos 60 anos, buscando mitigar a percepção de que seu programa é hostil ao setor privado. Já Marine Le Pen, embora alinhada com o Medef em temas como a simplificação de normas, enfrenta resistência devido a propostas consideradas onerosas e à sua intenção de reduzir a idade de aposentadoria.

Bruno Retailleau aposta em uma plataforma de "choque fiscal", prometendo um corte de 40 bilhões de euros em impostos e mudanças nas leis trabalhistas, como a revisão da jornada de 35 horas. Por outro lado, os ex-primeiros-ministros Gabriel Attal e Édouard Philippe precisam defender o legado econômico da era Macron, enquanto tentam se diferenciar um do outro perante o eleitorado e os empresários.

Marine Tondelier, representante dos Ecologistas, busca centralizar o debate na transição ambiental, propondo investimentos em energias renováveis e a criação de um imposto climático sobre grandes fortunas. O desafio da candidata é provar que a agenda verde pode atuar como um motor de competitividade. Já Raphaël Glucksmann, da social-democracia, tenta equilibrar suas posições sobre o aumento do salário mínimo com um discurso focado na reindustrialização e na soberania econômica.

O evento contou ainda com a participação da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O debate ocorre em um momento de incerteza sobre as candidaturas definitivas, com discussões em curso sobre possíveis alianças, primárias na esquerda e no centro, e a definição dos nomes que permanecerão na disputa até o final do processo eleitoral, previsto para se consolidar entre o final de 2026 e o início de 2027.

Fonte: pt.euronews.com