Portal Luccas Torres

Previsão do El Niño: cientistas descobrem método para

Cientistas identificam nova forma de realizar a previsão do El Niño com um ano de antecedência. Confira como isso ajudará na preparação contra desastres.

A previsão do El Niño acaba de ganhar um avanço científico significativo, permitindo que especialistas identifiquem o fenômeno com até um ano de antecedência. A descoberta, fruto de uma colaboração entre a agência científica australiana CSIRO e a Universidade de Melbourne, promete revolucionar a forma como governos e comunidades se preparam para eventos climáticos extremos.

O atual ciclo do El Niño tem gerado preocupações globais, com a Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertando que seus impactos podem se estender até 2027. Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, destacou que a intensidade deste episódio pode ser sem precedentes, afetando padrões meteorológicos em todo o planeta e ameaçando ecossistemas vitais, como recifes de coral e florestas.

Avanços na previsão do El Niño

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram mais de 7.500 previsões históricas do fenômeno ENSO (El Niño–Oscilação Sul). O estudo, publicado na revista Science Advances , revelou que o estado inicial do Oceano Pacífico — se neutro, em La Niña ou em El Niño — é determinante para a precisão das projeções a longo prazo.

Os resultados indicam que:

Previsões iniciadas durante condições de La Niña apresentam maior confiabilidade. Modelos que partem de estados neutros demonstram menor precisão. A nova metodologia permite identificar quais previsões merecem maior confiança. Além disso, a capacidade de antecipar esses eventos com 12 meses de antecedência oferece uma janela de oportunidade crucial para a gestão de recursos. Conforme detalhado em nossas últimas notícias , a preparação antecipada é fundamental para mitigar os danos causados por secas severas e inundações repentinas.

Davide Faranda, do Centro Nacional de Investigação Científica de França (CNRS), ressalta que a gestão da água é o pilar central dessa adaptação. Governos podem ajustar calendários agrícolas, otimizar o uso de albufeiras e implementar práticas de rega mais eficientes para proteger a segurança alimentar e o gado.

Embora o El Niño seja um fenômeno natural, seus efeitos são amplificados pelo aquecimento global causado pela queima de combustíveis fósseis. Portanto, a mitigação das mudanças climáticas continua sendo uma estratégia complementar indispensável para reduzir a severidade das consequências desses eventos extremos.

Embora a equipe de pesquisa ainda precise integrar essas descobertas aos modelos operacionais das agências meteorológicas, o progresso é promissor. A ciência caminha para transformar a incerteza climática em dados acionáveis, garantindo que o mundo esteja mais resiliente diante da próxima "bola de demolição" climática.

Fonte: pt.euronews.com