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Operação de demolição em Cuiabá mira ocupação irregular em á

Prefeitura de Cuiabá realiza demolição de construções irregulares em área de preservação ambiental sob suspeita de atuação de facções criminosas no Vale do Sonh

Prefeitura de Cuiabá realiza demolição de construções irregulares em área de preservação ambiental sob suspeita de atuação de facções criminosas no Vale do Sonho.

A ocupação irregular localizada no Vale do Sonho, região que compreende o entorno dos bairros Três Barras e Primeiro de Março, em Cuiabá, foi alvo de uma operação de demolição realizada pela prefeitura nesta quinta-feira (27). O local é monitorado pelo poder público desde 2025, quando o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) identificou a invasão de uma Área de Preservação Permanente (APP) vinculada à nascente difusa ID 34.

Investigações apontam que a área estaria sob o domínio de facções criminosas, que não apenas coordenaram a ocupação, mas também estariam realizando a venda ilegal de lotes clandestinos. Relatos encaminhados à Ouvidoria do Ministério Público detalharam práticas recorrentes de desmatamento com o uso de maquinário pesado, queimadas e a demarcação ilícita de terrenos que pertencem ao patrimônio público municipal.

Além da degradação ambiental, a Secretaria Municipal de Defesa Civil emitiu um diagnóstico classificando a área como de "risco alto" para alagamentos e deslizamentos de terra. O laudo técnico destaca que o solo arenoso da região, somado ao histórico de inundações, coloca em perigo a integridade física de qualquer ocupante. A recomendação da pasta é a desocupação total e a imediata recomposição da vegetação nativa.

O inquérito do MPMT, conduzido pela promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa, revelou que os invasores também providenciaram a instalação clandestina de redes de água e energia elétrica. Imagens de satélite analisadas pelo órgão indicam que o processo de ocupação teve início em 2024, intensificando-se ao longo do ano seguinte.

Ao ser notificada sobre a necessidade de intervenção, a Secretaria Municipal de Ordem Pública, sob a gestão de Juliano Chiquito Palhares, informou que diversas ações de fiscalização e cortes de ligações irregulares foram executadas ao longo de 2025. Posteriormente, o caso foi encaminhado ao Comitê Intersetorial de Gestão de Ocupações de Áreas Públicas (CIGDAP) para uma abordagem integrada envolvendo assistência social, habitação e segurança.

Apesar das tentativas de contenção, monitoramentos recentes realizados por meio de drones e fiscalizações terrestres constataram a abertura de novas frentes de ocupação. Foram identificadas dezenas de estruturas finalizadas e outras em fase de construção, o que motivou a solicitação de reforço policial e maquinário pesado para a operação desta quinta-feira.

O prefeito Abilio Brunini (PL) manifestou-se sobre a ação por meio de suas redes sociais, reiterando que a prática de invasões será combatida rigorosamente pela gestão municipal em parceria com as forças de segurança e o Poder Judiciário. O chefe do Executivo enfatizou que a demolição foi direcionada exclusivamente a estruturas desocupadas.

"Foi certificado pela Assistência Social e pela Secretaria de Ordem Pública que não havia moradores dentro dessas construções. Desta forma, a Secretaria realizou a demolição conforme determinam as decisões judiciais e a legislação vigente", afirmou o prefeito. Ele reforçou que o município não tolerará a continuidade dessas ocupações irregulares.

O Ministério Público de Mato Grosso determinou que a prefeitura apresente um relatório conclusivo detalhando todas as medidas adotadas para impedir o avanço da ocupação e garantir a restauração da área degradada. A expectativa é que a fiscalização na região do Vale do Sonho permaneça intensificada para evitar novas investidas criminosas no local.

Fonte: rdnews.com.br