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Ministério Público solicita que Câmara de Várzea Grande apur

Promotoria de Justiça recomendou que o Legislativo analise possíveis desvios éticos do vereador Rogerinho Dakar após o vazamento de vídeo recebendo dinheiro em espécie.

A 1ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande, que atua na defesa da probidade administrativa e do patrimônio público, emitiu uma notificação recomendatória direcionada à Câmara Municipal. O objetivo é que o Legislativo avalie as possíveis implicações éticas e parlamentares envolvendo o vereador Rogerinho Dakar (PSDB), que ocupava o cargo de diretor-presidente do Departamento de Água e Esgoto (Dae/VG) até pouco tempo atrás.

O documento, assinado pela promotora Taiana Castrillon Dionello, surge na esteira de um episódio ocorrido no dia 10 de agosto, quando um vídeo veio a público mostrando o parlamentar recebendo quantias em dinheiro. Naquele momento, Rogerinho ainda comandava a autarquia municipal, mas acabou sendo desligado da função oito dias após a divulgação das imagens.

Anteriormente, a promotoria já havia solicitado que a Prefeitura de Várzea Grande instaurasse uma investigação sobre o caso. Com o retorno de Rogerinho ao exercício de suas atividades na Câmara, a promotora encaminhou uma nova solicitação ao presidente da Casa, o vereador Wanderley Cerqueira (MDB), reforçando a necessidade de uma análise institucional sobre o episódio.

Conforme detalhado pelo Ministério Público, o material audiovisual foi anexado aos autos e submetido a uma análise preliminar. Além das imagens, o procedimento agora conta com informações acerca de investigações em curso sobre o Dae e um registro de áudio, supostamente atribuído ao vereador, no qual ele pediria auxílio a outros parlamentares da Câmara.

Em sua defesa, o ex-gestor do Dae argumenta que, por atuar também como empresário, o manuseio de dinheiro em espécie faz parte de sua rotina. Ele chegou a manifestar, publicamente, a disposição de abrir seu sigilo bancário para esclarecimentos. Contudo, o vereador evitou detalhar a origem dos valores ou a data exata em que o montante foi recebido.

O cenário político também foi marcado por uma mudança de postura do Executivo. Inicialmente, a prefeita Flávia Moretti (PL) tentou manter Rogerinho no comando da autarquia. Entretanto, devido à intensa repercussão negativa do caso, a gestora optou por realizar a substituição na chefia do departamento.

A Câmara Municipal de Várzea Grande possui um prazo de 10 dias para responder formalmente ao Ministério Público. O Legislativo deverá informar quais providências foram adotadas e apresentar a documentação comprobatória que ateste o cumprimento da recomendação ministerial.

Segundo a promotora Taiana Castrillon, o envio dos elementos colhidos no inquérito civil visa garantir que a Câmara realize uma análise técnica e institucional dos fatos. A medida busca, ainda, prevenir qualquer omissão por parte do Legislativo na apreciação de condutas que possam ter relação direta com o exercício do mandato parlamentar.

Fonte: rdnews.com.br