Google Maps renomeia Lago Ontário para 'Lago América' nos Es
Após ordem de Donald Trump, Google Maps altera nome do Lago Ontário para 'Lago América' nos EUA, intensificando tensões comerciais entre Washington e Ottawa.
Usuários do Google Maps nos Estados Unidos passaram a visualizar o Lago Ontário sob a nova denominação de “Lago América”. A alteração foi implementada pela gigante de tecnologia após uma determinação do presidente Donald Trump, que ordenou a mudança oficial do nome de um dos Grandes Lagos. A decisão ocorre em um momento de escalada na guerra comercial entre os governos de Washington e Ottawa, provocando reações imediatas de autoridades canadenses, como o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, que classificou a medida como algo “absolutamente ao contrário”.
De acordo com a empresa, a nomenclatura original, de origem indígena e utilizada desde o século XVII, será mantida para os usuários canadenses. A disputa em torno do nome do lago surge como um desdobramento da política “America First” adotada por Trump, em um período marcado pela imposição mútua de tarifas de retaliação entre os dois países vizinhos.
O clima de tensão se agravou no último domingo, quando o presidente americano direcionou novas críticas ao setor automotivo. A indústria entre as duas nações é profundamente integrada, com uma cadeia de suprimentos que atravessa a fronteira diversas vezes antes da conclusão da montagem dos veículos. Dados da DesRosiers Automotive Consultants indicam que, em 2025, o Canadá exportou cerca de 78,6 bilhões de dólares canadenses em produtos automotivos, sendo que aproximadamente 95% desse montante teve como destino o mercado dos Estados Unidos.
A política tarifária de Washington tem se tornado cada vez mais rigorosa. Desde abril de 2025, vigora uma taxa de 25% sobre componentes não americanos em veículos montados no Canadá. A previsão é que esse percentual dobre para 50% a partir de 1º de janeiro de 2027, após o fracasso das negociações comerciais entre Trump e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, em 21 de agosto. Em sua plataforma Truth Social, Trump declarou abertamente sua rejeição a produtos canadenses, afirmando não desejar peças ou veículos vindos do país vizinho.
Em contrapartida, a Apple manteve a designação tradicional “Lake Ontario” em seu aplicativo de mapas, que já vem instalado nos iPhones vendidos nos EUA. O Google, por sua vez, justificou a mudança alegando conformidade com o Geographic Names Information System (GNIS), a base de dados federal oficial de topônimos dos Estados Unidos. A empresa explicou que, enquanto usuários americanos verão “Lake America”, os canadenses continuarão identificando o local como “Lake Ontario”, e usuários em outras partes do mundo terão acesso a ambas as denominações.
Essa alteração segue um precedente estabelecido em janeiro de 2025, quando Trump decidiu, de forma unilateral, renomear o Golfo do México para “Golfo da América”, uma medida que também foi rejeitada pelas autoridades mexicanas. O Lago Ontário, o menor em superfície entre os cinco Grandes Lagos, situa-se na fronteira entre a província canadense de Ontário e o estado americano de Nova Iorque.
Doug Ford, em entrevista ao programa “This Week”, da rede ABC, ironizou a decisão, comparando-a a um esquete do programa Saturday Night Live . O político reforçou que a população continuará chamando o local pelo nome histórico e alertou que a guerra comercial será devastadora para os próprios Estados Unidos, visto que o Canadá é o maior comprador de veículos americanos. Para Ford, a imposição de tarifas sobre o Canadá funciona, na prática, como um imposto sobre o povo americano.
Embora Trump tenha exaltado o desempenho da fábrica da Ford em Detroit, que opera em regime de horas extras para a produção da F-150, o cenário é complexo. Muitos motores dessas caminhonetes são fabricados em Windsor, no Canadá. A ameaça de elevar as tarifas para 50% sobre esses componentes, somada às retaliações canadenses que variam entre 15% e 50% sobre bens americanos, sinaliza um agravamento contínuo nas relações entre os dois aliados históricos.
Fonte: pt.euronews.com