Estruturação das UTIs no Brasil: médicos pedem melhorias
Médicos apontam que a estruturação das UTIs no Brasil precisa ir além de novos leitos. Confira os dados sobre a qualidade no SUS e setor privado.
A estruturação das UTIs no Brasil exige medidas que transcendam a simples expansão do número de leitos, segundo apontam profissionais da área. Um levantamento recente indica uma percepção de qualidade significativamente distinta entre os serviços públicos e privados no país. Portanto, especialistas reforçam a necessidade de políticas públicas focadas na eficiência operacional e na infraestrutura completa.
Desafios na estruturação das UTIs no Brasil
O Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras ouviu 2.338 médicos que atuam em alta complexidade. A pesquisa, realizada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM), avaliou diversos itens essenciais. Entre os pontos analisados, destacam-se a infraestrutura, a disponibilidade de medicamentos e o nível de especialização das equipes.
Os resultados revelam que as notas positivas são, em média, duas vezes maiores no setor privado do que no SUS. Em contrapartida, as avaliações negativas chegam a ser quatro vezes superiores nas unidades públicas. Dessa forma, a Amib pretende apresentar o diagnóstico a gestores e autoridades para defender recomendações técnicas que impactam mais de 43 mil leitos nacionais.
A disparidade de recursos entre os dois setores é evidente em diversos indicadores fundamentais para o atendimento de pacientes graves:
Apenas 22,7% dos médicos consideram a disponibilidade de medicamentos adequada no SUS, contra 57,7% no setor privado. A suficiência de leitos recebeu nota máxima de 24,1% dos profissionais no SUS, enquanto no setor privado o índice chega a 51,4%. O acesso a protocolos clínicos foi avaliado positivamente por 23,1% dos médicos na rede pública e por 40,2% na rede particular. Além disso, a pesquisa aponta que 32,6% dos médicos classificam a disponibilidade de leitos no SUS como ruim. No setor privado, esse índice de insatisfação cai para 7,7%. Contudo, existe um ponto de convergência entre os dois segmentos: a carga de tarefas administrativas e burocráticas, que é vista de forma similarmente negativa por ambos os grupos.
A qualificação da equipe multiprofissional também apresenta desigualdades preocupantes. No setor privado, 39,2% dos médicos atribuíram nota máxima à presença de especialistas, enquanto no público esse número é de 23%. Além disso, a formação específica de enfermeiros em terapia intensiva recebeu avaliações negativas de 37,2% dos profissionais que atuam no SUS.
Diante desse cenário, a Amib defende que a gestão da saúde deve priorizar a qualidade assistencial. A entidade busca, portanto, sensibilizar órgãos de fiscalização para que as mudanças estruturais sejam implementadas de forma abrangente. Para acompanhar mais desdobramentos sobre o tema, consulte as últimas notícias em nossa categoria de saúde.
Fonte: jornaldematogrosso.com.br