Estilista Xavante apresenta moda ancestral em Cuiabá com apo
A estilista Dalize Tsanidza, da etnia Xavante, expôs suas criações no Cine Teatro Cuiabá, celebrando a identidade indígena através do projeto Da’udza Moda Ances
A estilista Dalize Tsanidza, da etnia Xavante, expôs suas criações no Cine Teatro Cuiabá, celebrando a identidade indígena através do projeto Da’udza Moda Ancestral.
O que antes era apenas um desejo de infância, cultivado enquanto caminhava pela aldeia Nova Esperança, na Terra Indígena São Marcos, em Barra do Garças, transformou-se em um projeto de vida para a indígena Dalize Tsanidza. Fundadora da Da’udza Moda Ancestral , a estilista apresentou suas peças exclusivas no último sábado (22.08), ocupando o saguão do Cine Teatro Cuiabá durante a quarta edição do Festival de Teatro Luiz Carlos Ribeiro, evento que valoriza a produção cultural mato-grossense.
A iniciativa, viabilizada pelo edital MT Criativo da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), busca integrar memórias, território e a força do povo Xavante por meio de vestimentas singulares. Cada item produzido não apenas exalta a identidade do povo, mas também atua como um instrumento de resistência e exaltação cultural.
Neta do histórico líder indígena Mário Jurena, Dalize explica que sua criação conecta elementos da natureza com técnicas tradicionais passadas entre gerações. O termo Da’udza , na língua Jê, significa simplesmente “roupa”. A estilista relembra sua trajetória: “Sempre gostei de moda. Desde criança, gostava de pintar e me arrumar, de andar estilosa na aldeia, mesmo que a roupa estivesse rasgada”. O desejo de profissionalização surgiu ao começar a pintar as vestes de seus filhos seguindo a simbologia dos clãs Xavante.
Segundo Dalize, o apoio do edital estadual foi fundamental para que ela pudesse exibir sua arte ao público. “Foi um marco para mim, consegui finalmente mostrar minhas roupas. Com o recurso, pude aperfeiçoar o corte, a costura e o grafismo, o que gerou um aumento significativo na demanda por encomendas”, destaca. A estruturação do projeto foi realizada pela produtora cultural Anne Carmo, que atua há seis anos fomentando projetos para povos indígenas, incluindo os do Território Indígena do Xingu.
Anne, que é formada em Direito, encontrou na escrita de projetos sua forma de expressão e sustento. Ela ressalta que Dalize já planeja cursar Marketing para gerir melhor seu empreendimento. A produção, por ser totalmente manual e única, não visa a larga escala, mas sim a valorização da cadeia produtiva artesanal. O edital MT Criativo , gerido pela Superintendência de Desenvolvimento da Economia Criativa sob o comando de Keiko Okamura, visa justamente fortalecer negócios que nascem das dinâmicas culturais locais.
O Festival de Teatro Luiz Carlos Ribeiro, palco dessa exposição, é um evento de grande relevância para a cena mato-grossense. Além de promover o intercâmbio cultural, o festival oferece uma programação diversificada que inclui teatro tradicional, circo, performances e intervenções urbanas. A produtora executiva Flávia Taques reforça que o evento, realizado em parceria com a Secel-MT e a Assembleia Legislativa, é essencial para a formação de novas plateias e o fortalecimento dos artistas locais.
O festival homenageia Luiz Carlos Ribeiro, figura histórica que militou pela organização do movimento teatral nacional e mato-grossense, sendo um dos fundadores da Federação Mato-grossense de Teatro (FEMATA). Além de sua atuação artística, Ribeiro foi um importante militante na luta democrática contra a ditadura militar de 1964, deixando um legado de resistência e educação artística.
A programação do festival contou com diversas atrações, como as apresentações de Siriri Elétrico , a releitura de A Tempestade pela MT Escola de Teatro, e o espetáculo Homem-Bomba , da Companhia Teatro Adulto de Belo Horizonte. Outros destaques incluíram a performance Maria Taquara em Foco , de Wagton Douglas, que reflete sobre a invisibilidade social, e o espetáculo Drummond – Confabulações Sertanejas , da Trup Errante, de Petrolina (PE), consolidando o evento como um ponto de encontro de diferentes linguagens cênicas do Brasil.
Fonte: rdnews.com.br