Dependência europeia do lítio: empresa alemã busca solução
Empresa alemã desenvolve tecnologia para reciclar baterias e reduzir a dependência europeia do lítio chinês. Confira agora os detalhes do projeto.
Uma unidade industrial em Krefeld, na Alemanha, tornou-se o centro de uma estratégia para diminuir a dependência europeia do lítio chinês. A empresa familiar Accurec Recycling GmbH implementou um processo inovador que extrai o metal valioso de resíduos eletrônicos sem a necessidade de produtos químicos agressivos. O diretor de desenvolvimento da companhia, Simon Bremer, destaca que a tecnologia é fundamental para a transição energética e para a segurança das matérias-primas no continente.
dependência europeia do lítio
Fundada em 1995, a Accurec possui vasta experiência no setor de baterias. Inicialmente focada em níquel-cádmio, a empresa adaptou-se à dominância das baterias de íons de lítio, que hoje alimentam desde smartphones até veículos elétricos. Atualmente, a planta processa cerca de 5.000 toneladas anuais, mas planos de expansão já estão em curso para quadruplicar essa capacidade.
O processo, batizado internamente de “CLIMA”, utiliza o tratamento térmico para decompor os componentes orgânicos. Segundo Bremer, a técnica transforma o lítio em um composto solúvel em água, permitindo sua extração de forma eficiente. O método é comparado a um filtro de café, onde apenas o elemento desejado é isolado, enquanto o restante permanece como resíduo sólido.
A expansão da infraestrutura em Krefeld conta com um investimento de 5,5 milhões de euros. Os objetivos da empresa incluem:
Aumentar a capacidade de processamento para 20.000 toneladas anuais. Elevar a taxa de recuperação de lítio para mais de 80% até 2027. Reduzir as emissões de CO₂ em mais de 59% por tonelada de carbonato de lítio. Economizar quase 50% de energia através do reaproveitamento de calor. Atualmente, a Europa importa entre 65% e 70% dos químicos de lítio da China. Essa concentração de mercado coloca a indústria europeia em uma posição vulnerável, especialmente quando Pequim restringe exportações. A Accurec busca, portanto, manter esses recursos dentro do ciclo econômico europeu, evitando que a chamada “massa negra” — um pré-produto rico em metais — seja enviada para refinarias asiáticas.
Bremer aponta que a falta de infraestrutura de refino na Europa força a exportação da massa negra. Além disso, os preços agressivos praticados por compradores asiáticos dificultam a criação de um mercado local competitivo. Para mudar esse cenário, a empresa firmou um memorando de entendimento com a refinaria AMG Lithium, em Bitterfeld, visando fechar o ciclo de produção internamente.
O executivo também defende mudanças regulatórias mais robustas. Embora a União Europeia tenha classificado a massa negra como resíduo perigoso, Bremer acredita que a fiscalização precisa ser rigorosa. Ele sugere a criação de cotas de origem europeia para o material reciclado, garantindo que o ecossistema de fornecedores cresça de forma integrada.
Para mais informações sobre o setor, acompanhe a nossa categoria de notícias. A visão da Accurec reflete um desafio maior: a necessidade de uma estratégia industrial europeia que não dependa apenas de projetos isolados, mas que sustente toda a cadeia de valor das baterias.
Fonte: pt.euronews.com