Portal Luccas Torres

Embrapa define seis eixos prioritários para o futuro do agro

A Embrapa lançou documento com diretrizes estratégicas para o setor agropecuário, visando orientar políticas públicas e investimentos em inovação e sustentabili

A Embrapa lançou documento com diretrizes estratégicas para o setor agropecuário, visando orientar políticas públicas e investimentos em inovação e sustentabilidade.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) divulgou, recentemente, um conjunto de recomendações voltadas a candidatos que disputam cargos no Executivo e no Legislativo nas próximas eleições. O material, fundamentado em evidências científicas, defende a necessidade de investimentos constantes e estáveis em ciência, tecnologia e inovação, além de focar na inclusão socioprodutiva no campo.

O documento, intitulado Agenda estratégica para agricultura do Brasil: contribuições de pesquisa e inovação , encontra-se disponível para consulta pública. Segundo a estatal, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, a agricultura desempenha um papel vital para o país, não apenas pela sua relevância econômica, mas também pela garantia da segurança alimentar, pela adaptação às mudanças climáticas e pelo desenvolvimento regional.

Os dados apresentados pela instituição reforçam o peso do agronegócio na economia nacional. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor atingiu a marca de R$ 3,2 trilhões, o que corresponde a 25% de toda a riqueza produzida no Brasil. Além disso, o setor foi responsável por empregar 28,4 milhões de pessoas no ano anterior, enquanto as exportações somaram US$ 169,2 bilhões, representando quase metade de tudo o que o país vendeu ao mercado externo.

A Embrapa destaca que, para cada real investido em suas atividades de pesquisa — que incluem o melhoramento genético de sementes para maior resistência a secas, calor e salinidade —, o retorno para a sociedade brasileira é de R$ 27,12. Com base nesse histórico, a empresa estabeleceu seis pilares estratégicos: segurança alimentar e nutricional; agricultura sustentável e resiliência climática; bioeconomia; transição energética; desenvolvimento territorial; e transformação digital.

Um dos pontos centrais do documento é a segurança alimentar, que passa pela redução da dependência de insumos importados. A Embrapa alerta que a falta de investimentos contínuos em pesquisa e inovação torna o país mais vulnerável a choques geopolíticos, sanitários e climáticos, além de elevar os custos de produção.

A instituição defende que o Brasil tem condições singulares para se tornar um líder global em produção sustentável e de baixo carbono. O texto cita projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), indicando que a omissão diante das mudanças climáticas pode custar aos cofres públicos e à economia nacional cerca de R$ 17,1 trilhões até o ano de 2050.

No campo da energia, a proposta é ampliar os investimentos em biocombustíveis, biogás, biometano e bioinsumos. Segundo os técnicos, essa estratégia não apenas diversifica a matriz energética brasileira, mas também agrega valor à produção agropecuária e estimula o crescimento econômico em diversas regiões do país, consolidando vantagens competitivas no cenário internacional.

A modernização tecnológica também é tratada como prioridade. A Embrapa aponta que a transformação digital, por meio de inteligência artificial, internet das coisas, automação e agricultura de precisão, está redefinindo o setor. Para que esses avanços cheguem ao campo, a ampliação da conectividade rural é apontada como uma condição indispensável.

Por fim, a publicação delineia papéis distintos para os poderes. Ao Executivo, cabe a consolidação de uma estratégia de desenvolvimento rural que una competitividade e inclusão. Ao Legislativo, a responsabilidade de criar o arcabouço regulatório e orçamentário necessário, garantindo a estabilidade das políticas públicas e a previsibilidade indispensável para que o setor privado possa realizar investimentos de longo prazo.

Fonte: sonoticias.com.br