Documentário Naza: Israel ameaça retirar cidadania de
O governo de Israel ameaça retirar a cidadania de realizadores do documentário Naza após premiação em Veneza. Confira agora os detalhes desta polêmica.
documentário Naza — A ameaça de retirar a cidadania de realizadores israelitas de um documentário sobre a guerra em Gaza gerou um intenso debate internacional. O filme Naza , dirigido por Yuval Abraham e Rachel Szor, tornou-se um dos destaques mais comentados da última edição do Festival de Cinema de Veneza.
Polêmica sobre o documentário Naza
O longa-metragem, único documentário na competição principal, detalha os sistemas utilizados para o cálculo de alvos em ataques aéreos. A produção foi gravada em segredo nos telhados de Telavive e inclui depoimentos de 24 oficiais da inteligência militar, soldados e denunciantes.
O título do filme, Naza , deriva de um acrônimo militar para "Nezek Agavi", que significa dano colateral. A obra recebeu o Prêmio Especial do Júri, mas a distinção provocou uma reação imediata e agressiva de membros do governo israelense.
O ministro da Cultura de Israel, Miki Zohar, anunciou que agirá para revogar a cidadania dos cineastas. Ele classificou a obra como "vil" e afirmou que o trabalho representa uma traição ao Estado, equiparando a crítica à política militar ao antissemitismo.
Além disso, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, reforçou as críticas nas redes sociais. Ele chamou os realizadores de "vergonha" para o povo de Israel e sugeriu que os cineastas deveriam se mudar para Gaza, onde seriam recebidos pelo Hamas.
Repercussão e contexto da obra
Apesar das ameaças governamentais, o filme recebeu uma ovação de pé recorde de 25 minutos em Veneza. O documentário baseia-se em investigações publicadas entre 2023 e 2025 por veículos como a +972 Magazine , Local Call e o jornal The Guardian .
Confira outros detalhes sobre o cenário geopolítico atual na nossa categoria de notícias. O impacto da obra pode ser medido por alguns pontos fundamentais:
O filme expõe o funcionamento interno da escolha de alvos militares em Gaza. A produção foi filmada clandestinamente durante o conflito atual. O documentário superou o recorde anterior de ovação em Veneza, que pertencia a The Voice of Hind Rajab . Por outro lado, vozes da esquerda israelense defenderam os cineastas. O ex-deputado Yousef Jabareen agradeceu à dupla por denunciar a realidade brutal do conflito. O jornal Haaretz também publicou um editorial afirmando que o filme força a sociedade israelense a confrontar as falhas na condução da guerra.
Este não é o primeiro trabalho polêmico da dupla. Em 2024, Abraham e Szor lançaram No Other Land , que venceu o Oscar de Melhor Documentário ao retratar a violência de colonos na Cisjordânia.
Atualmente, o Ministério da Saúde de Gaza relata mais de 73 mil mortes em três anos de bombardeios. Organizações internacionais, incluindo a ONU, têm classificado as ações de Israel na região como crimes de guerra e genocídio.
O documentário Naza seguirá o seu circuito internacional. A obra será exibida no Festival de San Sebastián, na Espanha, e no New York Film Festival, ainda em setembro. A distribuidora francesa MK2 Films detém os direitos de vendas internacionais.
Fonte: pt.euronews.com