Coronel Fernanda diz que CPMI iniciou apuração que culminou
A deputada federal Coronel Fernanda afirma ter solicitado a convocação do ex-presidente do Banco Master ainda em 2025, durante os trabalhos da CPMI do INSS.
A deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) declarou que o processo de investigação que culminou nas recentes revelações envolvendo o Banco Master e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, teve início a partir de uma iniciativa sua durante a CPMI do INSS. Segundo a parlamentar, o trabalho de apuração começou ao “puxar o fio” das suspeitas que recaíam sobre a instituição financeira muito antes de o caso atingir o magistrado.
O ponto central da fala da deputada refere-se ao requerimento protocolado por ela em setembro de 2025. Naquele momento, o objetivo era convocar Daniel Vorcaro, que ocupava a presidência do Banco Master, para prestar esclarecimentos sobre o possível envolvimento da entidade em fraudes que estavam sob o escrutínio da comissão parlamentar.
“Nós começamos a puxar esse fio quando muita gente sequer imaginava até onde ele poderia chegar”, afirmou a parlamentar. Ela destacou que a CPMI do INSS, originada de um requerimento de sua autoria, foi o palco onde se exigiu a presença de Vorcaro. Para a deputada, o fato de a investigação ter alcançado uma das figuras mais influentes do Judiciário brasileiro reforça a necessidade de atuar sem receios, independentemente de quem seja o alvo.
A manifestação da deputada ocorre em um cenário de repercussão após a Polícia Federal divulgar dados obtidos a partir de investigações sobre contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Entre os pontos levantados, destaca-se um contrato de R$ 131 milhões estabelecido entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O Requerimento de Convocação nº 1.629/2025, apresentado por Coronel Fernanda em 5 de setembro de 2025, foi aprovado pela CPMI. Na época, o foco principal da comissão era desarticular esquemas de fraudes que prejudicavam beneficiários do INSS. No texto do documento, a deputada classificava o depoimento de Vorcaro como uma medida indispensável para elucidar a participação do banco nas irregularidades detectadas.
É importante ressaltar que a convocação ocorreu em um momento anterior aos desdobramentos atuais e às revelações sobre a relação entre o banco e o ministro. Conforme a análise da Polícia Federal tornada pública recentemente, metadados de um arquivo encontrado no celular de Vorcaro sugerem que Moraes teria participado da análise da minuta do contrato milionário firmado com o escritório de sua esposa.
Em resposta às informações, o escritório de advocacia confirmou que o ministro foi consultado, mas ressaltou que sua atuação limitou-se a verificar a existência de eventuais impedimentos legais para a formalização do contrato. A banca também assegurou que os serviços contratados foram devidamente executados e enfatizou que Moraes nunca atuou como julgador em processos que envolvessem o Banco Master.
Coronel Fernanda reiterou que, no momento em que apresentou o requerimento na CPMI, o foco estava estritamente voltado para as denúncias de prejuízos causados a aposentados e pensionistas, sem qualquer conexão com os fatos que vieram à tona posteriormente por meio das investigações da PF.
“Quando apresentei o requerimento, nosso objetivo era proteger aposentados e pensionistas e descobrir quem estava por trás das irregularidades”, explicou a parlamentar. Ela concluiu reforçando sua visão sobre o papel do Legislativo: “Investigação séria é assim: você começa pelos fatos e segue as provas até onde elas levarem. Não pode haver blindagem para banco, empresário, político ou ministro”.
Fonte: midianews.com.br