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Combate ao feminicídio em Mato Grosso exige firmeza contra d

Em Mato Grosso, altos índices de feminicídio tornam inadmissível a relativização de leis de proteção, exigindo compromisso real de quem busca cargos públicos.

Em Mato Grosso, altos índices de feminicídio tornam inadmissível a relativização de leis de proteção, exigindo compromisso real de quem busca cargos públicos.

É inaceitável que, em Mato Grosso — um dos estados com os maiores índices de assassinatos de mulheres no Brasil —, ainda existam figuras políticas dispostas a questionar a validade das leis criadas para garantir a segurança feminina. É ainda mais preocupante observar, em pleno ano de 2026, a utilização de argumentos eleitoreiros que tentam transformar uma tragédia social comprovada em uma suposta disputa de gênero.

Quando a legislação reconhece o feminicídio, o objetivo não é estabelecer que a vida de uma mulher seja superior à de um homem. O propósito é admitir que existem mulheres assassinadas especificamente por sua condição de gênero, em contextos marcados por violência doméstica, sentimento de posse, menosprezo e discriminação. Ignorar essa particularidade não promove a igualdade; apenas torna invisível uma realidade cruel.

As recentes declarações do candidato ao Senado, Antônio Galvan, ao questionar a distinção do feminicídio e classificar como "infeliz" a legislação que endureceu as penas para esses crimes, demandam um posicionamento firme. Esse tipo de fala é especialmente grave quando parte de alguém que almeja representar Mato Grosso no Senado Federal, ignorando que o problema não é uma hipótese, mas uma realidade que ceifa vidas diariamente no estado.

Os números são alarmantes: entre janeiro e agosto deste ano, o Observatório Caliandra registrou 31 vítimas de feminicídio em Mato Grosso. Em 2025, o estado contabilizou 54 mortes, encerrando o ano com uma das taxas proporcionais mais elevadas do país. Por trás de cada dado estatístico, há uma história interrompida, uma mãe, uma filha, uma irmã e famílias inteiras devastadas pela perda.

Diante desse cenário, como parlamentar, mulher e coronel da Polícia Militar, é impossível aceitar discursos que minimizem a relevância das ferramentas legais desenhadas para romper esse ciclo de violência. Minha trajetória é pautada pela defesa das mulheres, e conheço de perto a realidade de quem sofre agressões justamente no ambiente onde deveria encontrar proteção.

É fundamental compreender que, antes de um feminicídio, ocorrem ameaças, perseguições, humilhações e uma escalada de violência psicológica. Por isso, no Congresso Nacional, defendo o fortalecimento da legislação, penas rigorosas para agressores e mecanismos mais eficientes para impedir que uma ameaça se converta em uma sentença de morte.

A Lei Maria da Penha e o endurecimento das penas para o feminicídio não foram criados para criminalizar o sexo masculino, mas sim para responder a décadas de impunidade e violência contra brasileiras. Defender as mulheres não significa pregar a impunidade para quem comete crimes, independentemente do gênero. Utilizar casos isolados para desqualificar políticas de enfrentamento ao feminicídio é uma manobra para desviar o foco do problema real.

Também é necessário rejeitar explicações simplistas que atribuem a violência a dificuldades financeiras ou à chamada "desestruturação familiar". Embora crises econômicas possam gerar tensões, elas jamais justificam a agressão, o espancamento ou o assassinato. Nada legitima o feminicídio.

Mato Grosso precisa seguir na contramão da banalização. É urgente ampliar a prevenção, fortalecer a rede de proteção, garantir celeridade nas denúncias e punir com rigor quem utiliza a violência como instrumento de controle. Quem ocupa ou pretende ocupar um cargo público carrega a responsabilidade de suas posições.

Enquanto houver mulheres vivendo sob o medo em seus lares e famílias chorando a perda de suas filhas, não podemos retroceder um milímetro. Não permitiremos que direitos conquistados com tanta luta sejam tratados como excessos, nem que o feminicídio seja reduzido a um homicídio comum. A vida das mulheres não pode aguardar o fim de debates convenientes; proteger a mulher é reconhecer uma violência específica e enfrentá-la com o rigor da lei.

Fonte: midianews.com.br