Portal Luccas Torres

Casas Bahia enfrenta crise de estoque e negocia empréstimo d

Após entrar em recuperação judicial com dívidas de R$ 17,3 bilhões, a rede varejista busca crédito emergencial para recompor estoques e manter operações.

Após entrar em recuperação judicial com dívidas de R$ 17,3 bilhões, a rede varejista busca crédito emergencial para recompor estoques e manter operações.

A rede varejista Casas Bahia, que formalizou seu pedido de recuperação judicial no último domingo (16), está em busca de um aporte financeiro de R$ 1 bilhão. O objetivo da companhia é captar recursos junto a instituições bancárias e fundos de investimento para viabilizar a compra de mercadorias e a recomposição de seus estoques, que foram severamente impactados pela crise financeira do grupo.

De acordo com fontes próximas às negociações, a empresa trabalha na estruturação de um financiamento na modalidade DIP (debtor-in-possession) . Trata-se de um mecanismo previsto na legislação brasileira, atualizada em 2020 pela Lei de Falências e Recuperação Judicial, voltado especificamente para injetar liquidez em companhias em processo de reestruturação, garantindo o pagamento de salários e a aquisição de insumos essenciais para a continuidade das atividades.

No relatório de resultados divulgado no mesmo domingo, a administração da varejista admitiu abertamente as dificuldades operacionais. A empresa destacou que a capacidade de repor produtos ficou abaixo do planejado ao longo do segundo trimestre de 2026, reflexo direto das restrições de crédito e do encarecimento dos financiamentos no mercado.

Os dados apresentados pela companhia revelam uma queda superior a 20% no volume de estoques disponíveis no último trimestre. O prazo médio de cobertura de estoque também sofreu uma redução acentuada, passando de 95 dias em 31 de março para 75 dias em 30 de junho de 2026. Segundo a varejista, essa escassez comprometeu a oferta de itens específicos em diversas lojas e canais de venda.

A crise foi agravada por uma frustração no planejamento financeiro: a empresa contava com uma captação de recursos no mercado internacional considerada fundamental para sua estratégia, mas a operação não foi concretizada dentro do cronograma estabelecido.

O pedido de recuperação judicial foi protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Justiça de São Paulo. Ao todo, o grupo declarou um passivo total de R$ 17,3 bilhões. A solicitação abrange dez empresas da holding, incluindo a proprietária das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o e-commerce Extra.com, a fabricante de móveis Bartira, além de unidades voltadas à logística e tecnologia.

A estrutura da dívida declarada é composta por R$ 16,4 bilhões em débitos com credores quirografários (sem garantia real), R$ 754 milhões em obrigações trabalhistas e R$ 154 milhões devidos a micro e pequenas empresas.

Como parte do plano de reestruturação para tentar equilibrar as contas, o grupo confirmou a demissão de aproximadamente 3.000 colaboradores, de um quadro total de 30.117 funcionários. Além disso, a companhia prevê o encerramento das atividades de quase 300 unidades físicas. Atualmente, a rede opera com mais de 700 lojas da marca Casas Bahia e mais de 65 unidades sob a bandeira Ponto Frio.

Fonte: midianews.com.br